The public is more familiar with bad design than good design. It is, in effect, conditioned to prefer bad design, because that is what it lives with. The new becomes threatening, the old reassuring.
Quem cometer actos de corrupção será devidamente responsabilizado” – Presidente da República, Daniel Francisco Chapo.
Foi assim que determinou o Presidente da República, quando discursava segunda-feira, dia 13 de Outubro, em Maputo, na Conferência Nacional sobre Combate à Corrupção. Quando ouvimos este vigor para o combate firme, coordenado e abrangente à corrupção, juntamo-nos a esta voz de comando, porque vivemos na pele os efeitos deste mal que não só destrói a confiança dos cidadãos nas instituições, mas descredibiliza toda a governação.
Cidadãos comuns que não têm onde tirar para corromper e obter o serviço que lhes é “devido”, que jubilaram em concordância com a tónica discursiva do Presidente da República por uma causa que é (deveria ser) nacional.
Enquanto acampanhávamos o momento, estava ao meu lado alguém que disse, indagando: “Chapo vai conseguir? Será que ele sabe, até que ponto a corrupção se instalou aqui no nosso país?” Bom…eu firmemente garanti que sim, que o Presidente está ciente do mal que a falta de integridade está a causar aos cidadãos, e é por isso que, de forma aberta e no meio dos que devem garantir o combate cerrado à corrupção, se dirigiu de forma vigorosa. Aliás, eu sustentei a minha convicção nos vários momentos em que o Presidente da República se mostra contrariado com a corrupção, e indica caminhos para a boa governação, justiça social e modernização do Estado. E aqui cito o Presidente Chapo: “Queremos um Estado que funcione com transparência, que preste contas com responsabilidade, que coloque o cidadão no centro das suas decisões e que use cada metical do erário público com responsabilidade e rigor”.

Convicta estou nas palavras do Presidente, porque combater a corrupção é mais do que uma obrigação legal; é um compromisso com a dignidade humana. Sabemos todos, corruptores e corrompidos inclusos, que cada acto de desonestidade fere a confiança, destrói quaisquer oportunidades e, por vias disso, enfraquece o sonho colectivo de um Moçambique onde a justiça, em todas as suas formas, é um facto.
É igualmente cógnito que a corrupção já não é um problema dos grandes; já está nos pequenos gestos, quando se aceita o “favor” ao invés do mérito, o “corta mato” em detrimento do esforço, o “dá qualquer coisa”, em troca do profissionalismo; quando se opta pelo “silêncio” no lugar da denúncia e da verdade. Vezes exigimos “pagamento” ou penalizamos quem “não é do grupo”, ou, ainda, quem não tem “padrinho/a”, e esquecemos que no outro quadrante ou nível, há um parente que poderá sofrer o mesmo, e o ciclo se alarga, minando cada vez mais o bom funcionamento das instituições e vulnerabilizando a harmonia nas relações humanas.
Por isso, a mudança começa em cada um de nós; nas decisões simples do dia a dia, na forma como educamos os nossos filhos, servimos o público ou cumprimos o nosso trabalho.
E não custa nada, porque somos humanos, deveríamos compreender a dor de quem sofre com a corrupção. Pelo que “vejo” nas palavras do Presidente há um lembrete de que o exemplo começa em cada um de nós: no servidor público que deve agir com honestidade, e no cidadão que deve recusar o “jeitinho” e escolher a verdade.
Quando cada moçambicano fizer do seu pequeno lugar um espaço de verdade, o país inteiro será maior do que a corrupção, porque o combate à corrupção é, afinal, um acto de amor à Pátria, e ao próximo, onde cada cidadão deve agir com consciência, verdade e respeito, para semearmos o país honesto e solidário.
Embora seja verdade que ser ético, na actualidade, é escolher o caminho mais difícil, mas também deveríamos ter consciência que é a escolha mais nobre; pois trata-se somente de compreender que a integridade constrói pontes, enquanto a corrupção ergue muros; é saber que o futuro do nosso país depende da coragem com que hoje defendemos a ética, transparência e a justiça. E, combater a corrupção é mais do que cumprir leis; é um exercício de consciência.
Mais uma vez reitero que ouvir o Mais Alto Magistrado da Nação a falar sobre ética e integridade em menos de uma semana, e, ainda por cima, a “dar ordens” ao corpo que deve zelar pela observância da legalidade, prevenir, combater, mitigar e punir a corrupção: é um alívio para muitos moçambicanos. Todos estamos expectantes para que o discurso não caia em pleno deserto; queremos que seja: “ordem dada, ordem cumprida”.

